terça-feira, 17 de maio de 2016

A velhice


Nunca tive muito contato com velhos. Assim, parece razoável afirmar que ingressei na velhice sem muita experiência prévia com esse estágio da vida. Deve ser assim com muita gente. Não é como a passagem da juventude para a vida adulta, onde modelos existem aos montes, e por todos os lados.

Na infância lembro-me de minha avó materna que morou na casa de meus pais. Lembro-me dela na maior parte do tempo acamada, até de lá sair para o cemitério. Uma mulher pesada nos movimentos, com ar de poucos amigos, cabelos longos, quebradiços, mal tratados, e trajando sempre um vestido longo com estampa de flores. Em nada lembrava as avozinhas da literatura infantil. Recordo-me de uma expressão que algumas vezes empregava: “Arre! Que pândega.” A tradução é mais ou menos a seguinte: “Puxa! Que engraçado.” Não conheci meu avô materno, da mesma forma que não conheci minha avó paterna. Dizia minha mãe - pois era sempre a dama do apocalipse - que morreu “louca”, fosse lá o que isso pudesse significar. Sei pelo atestado de óbito que morreu sem assistência médica, mas era assim que as pessoas pobres morriam naquele tempo. Morriam, simplesmente morriam de morte matada ou de morte morrida.

Também na infância lembro-me de meu avô paterno por duas ou três vezes na casa de meus pais. O velho italiano era alto, sempre de chapéu e cigarro de palha na boca. Difícil entender o que dizia, pois não tinha o lábio interior. Produto de uma cirurgia errada e que obrigara meu pai a fugir com ele do hospital antes que fosse morto para ocultar o erro dos médicos. Bem, essa era a versão sensacionalista de minha mãe, naturalmente. Meu pai não falava sobre o próprio passado. Meu avô cheirava a campo, e também nada tinha dos avôs dos filmes e dos comerciais de televisão.

Havia um terceiro velho. Ele caminhava lentamente pela rua de terra com ajuda de uma bengala. Nunca mereceu atenção até que eu e amigos acertamos o coitado com uma bolada no peito. Ora, a rua era nosso campo de jogo de bola. Ele saiu reclamando, e mais tarde apareceu a filha adulta nos culpando pelo hematoma e pela dificuldade de respiração do pobre homem. Foi uma sensação ruim a de ter causado o problema, mas não deixamos de jogar bola, e no mesmo lugar.

Finalmente um quarto velho. Tratava-se do avô do Luciano, um italianinho que morava perto de casa. Esse velho representava para a garotada da rua o que havia de sabedoria. Tirávamos com eles todas as nossas dúvidas. Lembrando-me agora das perguntas, mas principalmente das respostas, e noto que era um poço de ignorância, assim como eu, Luciano e os demais moleques.

Não me recordo de outros. Não na infância. Lembro-me, porém, de estar deitado na cama tentando imaginar como eu seria com cinquenta ou sessenta anos de idade. Não consegui imaginar nada. Parecia excessivamente distante. Talvez nem estivesse vivo. Nunca mais pensei nisso.

Na adolescência lembro-me no ginásio do professor Abner. Era velho, negro, e lecionava francês. Eu não estava acostumado com negros, e me parecia estranho estar na presença de um que tinha cabelos brancos. Cantávamos a Marselhesa. Nenhum professor velho no colegial e nem na faculdade.

Adulto, e no exercício de docência, convivi com professores velhos. Tinha relacionamento próximo com quatro ou cinco deles. Admiração e respeito definem os sentimentos que por eles nutria. Afinal eu era um jovem professor e eles veteranos no ofício. Um deles, arquiteto, além de pessoa agradável era elegante e muito culto. Movimentos leves e delicados, voz agradável e no volume certo, estava sempre aberto ao diálogo sobre os mais diversos assuntos. Um cavalheiro.

Na última década ocupei-me da velhice de meus pais. Tudo estava em ordem até meu pai ser acometido por um acidente vascular cerebral. Perdeu os movimentos do lado direito do corpo, bem como a fala. Tudo ruiu por conta disso. Sem condições de fuga ou esquiva o homem tornou-se refém de minha mãe. Com incapacidade de fala ela resolveu tornar-se a intérprete dos pensamentos e sentimentos dele. Ela não interpretava nada. Apenas arbitrava o que dizia ser desejo dele, e que na verdade era desejo dela. Ele emitia discordância com movimentos da cabeça, mas nada podia fazer. Roubado da alegria ingênua que o caracterizava desde que posso dele lembrar-me, definhou e morreu de tuberculose em um hospital. Ela foi bem mais longe, tiranizando os que não sabiam ou não podiam evitar suas investidas desqualificadoras, seu azedume constitucional. Nada nela tinha alguma ponta de simpatia e de generosidade.

No presente a velhice chegou aos amigos e também a mim. Certamente cruzei na vida com centenas, talvez milhares de velhos, mas nunca tive com eles nenhuma interação. Difícil, no dia-a-dia, o velho que entra e permanece na vida de crianças e de adultos. Qual outro motivo que não seja alguma obrigação? Nem velhos gostam de velhos. Bem, eu não gosto da maioria dos que encontro por ai. Sentam ao lado, puxam conversa e dão início a um rosário de especulações estúpidas: de onde o senhor é? Faz o que? É aposentado? É casado? Tem filhos? Tem netos? Não perguntam e nem dizem nada que preste, nada. Chamam a esse invasivo inventário de “fazer amizade”. Como sei disso mantenho deles uma distância prudente. O que muda em virtude da classe social são os conteúdos. Velhos de classe média adoram perguntar e falar de casas, apartamentos, automóveis, bairros e demais “coisas”. Pobre fala de gente, quase sempre da família e de meios de sobrevivência. Classe média fala de posses. Igualam-se, entretanto, no mesmo vazio, na baixa hierarquia das motivações de suas existências.

Mas, sobre o que mais poderiam falar? Quando muito sobre informações que a imprensa espalha nos noticiários dos jornais impressos e televisivos, da mesma forma que chacareiro lança no terreiro os grãos de milho para galinhas e frangos. Como galinhas, os que gostam de ser chamados de informados correm para cacarejar opiniões, como se estivem pondo ovos. Normalmente confundem opinião com demonstração de conhecimento, e acham o máximo firmar posições sobre as quireras que a imprensa joga no quintal da sociedade. Fazem poses, dramatizam quando falam, e de suas pérolas fica a impressão de que alguma coisa importante está por acontecer. Nada muda e muito menos eles próprios.

Isso é característica de velho? Não. Característica de pessoas que não conhecem outra forma de sociabilidade que não seja essa. Afinal, do que mais podem falar que não seja sobre as vicissitudes da vida, dos parentes e das coisas? O que mais podem imaginar como obras que não sejam essas miudezas?

Noto que as pessoas são, na velhice, o que eram em outros momentos da vida. Percebo isso com maior clareza nos amigos que envelhecem, pois os conheço de longa data. Acentua-se o que foi deles característica, manias que ganham um pouco mais de cor e apenas isso. Alguns se mostram medrosos, mas já eram. Outros oportunistas, mas também já eram. A velhice parece dissolver parte do verniz sob o qual as pessoas se escondiam. A velhice revela. Não conheço um só amigo que tenha, na velhice, aparecido com repertório comportamental diferente. Também é assim comigo, imagino.

Você sabe que está velho quando vai sendo deixado de lado da vida econômica e social. Suas ideias não contam e seus desejos não mais prevalecem. Se não tomar cuidado vai sendo subordinado aos caprichos, interesses e escárnio dos outros, e até mesmo de jovens. Velho bom é aquele que fica de lado, que pacientemente espera “a sua vez”, que de nada reclama, que não exige, não retruca, que ri das brincadeiras estúpidas que fazem com ele e não raro dele, que se deixa anular, que se conforma com o que nele interpretam como fraqueza, como debilidade. As pessoas gostam de velhos sem identidade, do boi manso que habita a expectativa do imaginário popular. Odeia-se velho que pensa, e ainda mais o que diz o que pensa. Nessa medida, ai dos que não têm ou não sabem preservar a dignidade.

Pouca gente respeita o que reconhece como fraco, como inferior, como incapaz de uma reação mais volumosa. Nessa medida observo a máxima algumas vezes atribuída a Thomas Jefferson: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Dentre os mais invasivos estão os pentecostais. Abusados, pois convencidos de que atuam em nome do divino – como se dele tivessem procuração -, podem se meter onde não são chamados, e do jeito que bem entendem. Esses vampiros só param diante de alguma manifestação de violência, única forma de se contrapor à violência moral que eles praticam contra os que lhes parecem fracos e fragilizados – doentes e velhos.

No velho as coisas tornam-se exacerbadas, inclusive as patologias. Velhos esquizofrênicos aumentam as medidas de segurança, insistem em afirmar que estão sendo vigiados e seguidos, e não conversam por telefone, pois interceptado. Não viajam desacompanhados e só se hospedam em casas de parentes, mesmo porque na família desenvolvem e compartilham a esquizofrenia coletiva da qual são parte. Dedicam a esses delírios e fantasias a maior parte do tempo existencial. Conheço um ou dois, e não há como negar que me fazem mal. Torço para que me esqueçam, e mais ainda para que não apareçam na minha porta.

Paranoicos, os primos de primeiro grau dos esquizofrênicos, também se mostram mais evidentes na velhice. Exageram na desconfiança de tudo e de todos, mas apresentam uma boa racionalização para legitimar a suspeita: imaginam-se inteligentes, sagazes, e que por conta dessas qualidades representam ameaça aos poderosos. Normalmente nem inteligentes e nem sagazes, mas convencidos dessas proezas. Isso é a ponta do iceberg da megalomania e que os caracteriza, apesar da aparência não raro sonsa, humilde e submissa, principalmente se religiosos. Conheço um que afirma ter visto Deus. Incrível, mas teve mais privilégio do que os apóstolos. Desnecessário dizer que vivem em prontidão, fogem para baixo da cama caso sintam-se minimamente ameaçados, e não se faz necessário muita coisa para despertar esse estado de prontidão. O persecutório está sempre na flor da pele. Todos falam dele e conspiram. Ah, como é bom tê-los fora do caminho. Não têm amigos, mas jamais irão reconhecer que eles mesmos não geram confiança. Adoram o apelo moralista e pela baixa sensibilidade são de pobreza estética sem precedentes. Não sabem manter vínculos afetivos, são emocionalmente embotados, e isso torna essas pessoas absolutamente inconfiáveis, pois não há correspondência entre o que falam e demonstram em expressões e gestos. Falta-lhes vida nos movimentos e nas expressões. São meros personagens.

E os hipocondríacos? Ah, passam o tempo todo atentos a sinais e sintomas. Qualquer disfunção orgânica mínima e imaginam o pior. Sempre pensam na pior hipótese. Dor de cabeça? Não. Neles um câncer no cérebro. Isso lhes ocasiona uma ansiedade permanente e como resultado promovem imensos desgastes em quem está por perto. Afinal, como as pessoas não estão vendo e ainda duvidam de seu autodiagnóstico? Não saem dos médicos e dos hospitais. Esses velhos são motivo de pânico para planos de saúde. Mesmo diante de diagnóstico contrário ao seu, e emitido por profissionais, duvidam e avançam pela automedicação. Pior do que isso, entretanto, é que ficam atentos aos sintomas também de outras pessoas, e não pensam duas vezes para sentenciar, nelas, a presença de doenças trágicas. São mórbidas. Presenças desgastantes.

E minha patologia? Reconheço em mim boa dose de sociopatia, e que também não surgiu na velhice. Tenho um egocentrismo pronunciado, e desconsidero sentimentos e opiniões dos outros. Em todas as circunstâncias? Não. Não suporto a convivência com sentimentos, princípios e opiniões cretinas, banais, vulgares. Não aguento tais exposições do que poucos minutos. Tenho, sim, uma atitude narcisista diante de meus próprios sentimentos e opiniões. Na velhice encontrei uma fórmula interessante para preservar-me e preservar os demais: sou o mais recluso que posso. Os outros não me aborrecem, mas também eu não os aborreço.

Interessante observar que minha sociopatia preocupa os mais próximos, mas nada diriam se eu fosse paranoico, esquizofrênico ou hipocondríaco. Não se conformam com o que denominam de vida solitária, convencidos de que estou deprimido. Não ocorre a ninguém que estou muito bem em minha própria companhia, e que nada tenho de deprimido. Aliás, estou em fase altamente produtiva - leio, pesquiso e escrevo como nunca – coisas que não faria se acompanhado da presença indigesta de pessoas indigestas.

A exemplo de tantas invenções, e sempre em nome do bem estar dos outros, surgiram com essa história de que ficar só é sinal de depressão, motivo da necessidade de inserir velhos em atividades “ocupacionais”, e se possível em companhia de outros velhos. Some-se a isso a ideia de que velho tem que fazer parte da geração “saúde”, de envelhecer com “qualidade de vida”, e está criada a fórmula da cretinização da “melhor idade”. Pretendem que se comportem como se fossem adolescentes. Velhos e velhas em grupos separados por gênero são lançados dentro de piscinas ou pendurados em aparelhos de ginástica nas praças ou academias. Estão “superando”, dizem. Superando o quê? Ah, o sedentarismo, a solidão e a depressão, dizem.

Como remédio para isolamento e depressão recomendam a eles atividades socializantes, mas também de caráter ocupacional: as oficinas de artesanatos para as velhas e os encontros dançantes para ambos os gêneros. Interessante que essas coisas fazem certo sucesso, principalmente porque fartamente promovidas pelos programas de televisão, revistas e jornais. Não sei se vão por prazer, empurrados por familiares ou “especialistas”, ou apenas para escapar da chatice dos discursos que aborrecem. No caso de homens, e ainda casados, na maior parte das vezes para que possam ficar longe das “metades”. Trocam essa condição por jogo de damas, de xadrez, de malha, esses sim e de fato socializantes. Trocam até por jogo de palitos. As mulheres, as metades, por sua vez agradecem a iniciativa dos “pais dos filhos”, e torcem para que se demorem nas atividades.


Na linha de combate à solidão e depressão estão os remédios da “afetividade”, isto é, a escolha de meios para o encontro de um “grande amor”. Hoje, é claro, com a ajuda da internet, das redes sociais, torna-se igualmente uma atividade “ocupacional” e com a condição segura de não sair de casa. Lá estão os galãs da terceira idade, e não raro as periguetes da melhor idade. Há quem goste. O que tenho notado é que essa busca resulta em frustração, mesmo porque nas redes sociais ninguém é o que mostra. Ali as pessoas podem ser qualquer coisa, menos representantes do romantismo, exceto de algum modelo caricato que adotaram. Falta-lhes minimamente bom gosto para a escolha de imagens e das frases feitas com as quais imaginam mostrar um lado “cult”. Expõem toda a vulgaridade que podem reproduzir, pois não têm nenhum outro padrão estético e intelectual. Nada é deles: nem imagens e nem frases. Quando muito compartilham, movimento em cadeia que vai sendo reproduzido de imbecil para imbecil.

Há de tudo. Velho que por opção ou por falta dela cuida de netos, mas também de cães, gatos, pássaros, flores e plantas. Velho estelionatário, ladrão, pedófilo, voluntário em atividades sociais, carola, comerciante, profissional liberal, etc. Velho é apenas uma pessoa qualquer com mais idade do que as mais novas. Não há modelo de velhice, não há o modo de velhice e nem nada disso. Velho gay, velho burro, velho que se acha engraçado, velho feio, velho bonito, velho elegante, velho desleixado, velho viscoso, velho sonso, velho político, etc.

Necessário, porém, colocar uma pedra sobre um antigo mito: velho é sábio. Desde quando? Sabedoria é produto de uma construção. Se difícil encontrar jovens sábios, e que seria o início de escalada de alguma sabedoria, por que encontrada na velhice? O tempo não agrega nada, absolutamente nada que não seja o inexorável desgaste dos corpos. De onde, portanto, viria essa anunciada sabedoria? Ah, têm experiência de vida? Sim, é verdade, mas experiência do que é passível de merecer o título de sabedoria? Esperteza, matreirice para contornar as dificuldades da vida? De bajulação, de recuo diante de conflito com poderosos? A isso chamam de sabedoria? Esse é o saber? Sábio era o velho Gustave Le Bon ao afirmar que crer é mais fácil do que saber, e de diferenciar opiniões e crenças de conhecimentos. Nossos melhores velhos quando muito opinam e acreditam. Na maioria das vezes conseguem crer, pois opinar pode gerar polêmica, e fogem disso. O que há nisso de sabedoria?


As pessoas precisam estar o tempo todo em ação, em movimento, ainda que isso represente o movimento de imagens lhes correndo diante dos olhos e de sons correndo pelos ouvidos nos canais de televisão, e lhes roubando a oportunidade de conhecimento no mínimo dos próprios desejos.

Sábio era o velho Paolo Mantegazza ao dizer que “a febre da ação e a petulante galhardia da saúde excluem quase sempre a capacidade de sermos melancólicos”. Melancólicos? Sim, um ingrediente emocional inerente à crítica, reflexão, formação de algum conhecimento, principalmente de si, mas impossível aos primários que conseguem expressar quando muito duas emoções - alegria e tristeza -, e isso em tempo de ditadura da alegria, pois a tristeza está banida. Estado de espírito tornou questão de saúde.

Não sai conhecimento de quem concebe e orienta a vida como um quadro de humor, como esses de programas de chanchada. Não sai conhecimento de quem conduz a vida como espetáculo de entretenimento, como desempenho grotesco e bizarro. Não há comicidade no saber, embora a comicidade seja uma forma de saber. Muitos se bastam com isso.

Diz trecho de música de Rolando Boldrin que “compadre meu que envelheceu cantando diz que ruminando dá para ser feliz”. Não sei é o que significa ser feliz. Sorrir, talvez? Por outro lado a maioria de nós sabe o que significa ruminar. Do que ele fala? De uma vida ruminante, mesmeira, comum, sem altos e baixos, sem inovações? Evidente que é possível ser alegre com esse tipo de vida, mas dela nada mais se espera além da mostra fácil dos dentes. Possível, é claro, para quem não carrega no espírito nenhuma inquietude interior, nenhum desejo de ser n vida algo mais do que simulacro de um boi ruminando no pasto, exatamente como legião que vaga por ai, e não apenas na velhice.

É possível, sim, o caminho da sabedoria para poucos velhos. Não mais do que para alguns, porém, uma vez que a grande maioria nunca exercitou a vida intelectual e emocional, de modo que desse exercício pudesse resultar a produção de algum saber. Não há, porém, nenhum movimento nessa direção, e que nada tem a ver com os tais cursos para a terceira idade que algumas instituições de ensino promovem. Velho que desenvolve o intelecto ou a sensibilidade artística não interessa. Deveria, porém, interessar a ele mesmo.

Querem velho atlético, socializado, docilizado, domesticado, que se exponha como palhaço na manifestação de uma alegria artificial e que não se sustenta, e que se torne um “exemplo” cretino das bandeiras edificantes, construtivas, mas que em nada neles ou em outros melhora as condições do espírito, isto é, das atividades superiores da própria humanidade. Ao concluir esta crônica fico sabendo da morte aos 84 anos de um velho verdadeiramente sábio – Umberto Eco. Sua sabedoria ficará entre nós, mas também para as futuras gerações. De quantos velhos pode-se dizer o mesmo?

Rogério Centofanti


São Paulo. Fevereiro de 2016